Como você tem cuidado de você? – utopiar

Como você tem cuidado de você?

Eu aposto que você já ouviu algumas vezes em sua vida que o autocuidado é importante. Que precisamos cuidar de nós mesmas para poder cuidar dos outros. Que se nós não nos cuidarmos, ninguém o fará. Entre outras ideias deste tipo.

Com certeza eu concordo com elas. O autocuidado é essencial para a nossa vida e para nossa saúde (física e mental). Mas percebo em minhas relações pessoais e no consultório que para algumas pessoas é extremamente difícil exercer o autocuidado.

Se alimentar bem e comer comidas saudáveis. Incluir rituais prazerosos na rotina. Conseguir colocar limites nas relações profissionais. Tratar bem o próprio corpo. Esses e outros exemplos de autocuidado, para algumas pessoas são muito mais difíceis do que para outras.

Talvez você também já tenha escutado que você deveria se tratar da mesma forma que trata sua melhor amiga. Essa ideia é bastante comum em muitos livros de autoajuda, por exemplo. Mas, porque se tratar como sua melhor amiga? Porque você, com certeza, tem afeto pela sua melhor amiga. E é muito mais fácil a gente cuidar daquilo ou daquele que gostamos, não é mesmo?

Pois é. E é exatamente por isso que para algumas pessoas é tão difícil o autocuidado. Porque essas pessoas não se enxergam com afeto. E acaba sendo muito frustrante não conseguir se cuidar. Às vezes a pessoa tenta de tudo, de todas as formas, mas o autocuidado acaba sendo insustentável. E aí vem uma enorme frustração.

Muitas vezes, inclusive, a pessoa que não consegue exercer o autocuidado se trata mal por isso. Um exemplo bastante comum: uma mulher está fazendo uma dieta para perder peso. Ela não consegue olhar para o seu corpo atual com qualquer tipo de afeto, se vê com negatividade, ou até com raiva e tristeza. E a ideia de gostar do próprio corpo aparece apenas no futuro, quando conseguir chegar no peso e imagem que gostaria. Acontece que o corpo que precisa ser cuidado é o corpo de hoje e não o (possível) corpo do futuro. Ela, então, apenas pensa no momento em que vai atingir seu resultado desejado e poderá, então, voltar a ter prazeres na vida. 

Como seria mais fácil se existisse o afeto pelo corpo presente. E quando digo afeto, não quero dizer satisfação. Podemos tranquilamente sentir afeto por algo e, ainda assim, querer mudar ou ter uma versão melhor deste algo.

E é aí que está o verdadeiro afeto. Sentir que o melhor resultado é o poder se cuidar e não o corpo desejado (até porque, muitas vezes o corpo desejado é inalcançável ou faz parte de um padrão social que não necessariamente faz sentido para a pessoa que o deseja).

Então, como podemos ter mais afeto por nós mesmas? Seria muito bom poder responder esta pergunta de uma forma geral, que funcionasse para todos e todas. Mas, infelizmente, é impossível.

Se enxergar com amor e afeto é uma construção individual, familiar e social. É preciso entender e investigar com cuidado os motivos de alguém não conseguir se enxergar desta forma. Mas minha sugestão aqui é que você faça uma reflexão para entender se consegue sentir afeto por você mesma da forma como é ou se está constantemente tentando se encaixar em algum contorno para, enfim, se sentir bem.

 

A Flavia é psicóloga clínica, apaixonada por literatura, música, viagens e novas culturas. Acredita nas conexões profundas, tanto nas relações quanto internas. Sua busca profissional vai para além do consultório - tentando sempre proporcionar novas compreensões através de seus textos e reflexões.  

 

 

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