Mulheres e pandemia: violência doméstica aumentou com o isolamento – utopiar

Mulheres e pandemia: violência doméstica aumentou com o isolamento

A pandemia da Covid-19 mudou a vida de todos nós, de uma forma ou de outra, em todos os lugares do mundo! Milhares de pessoas perderam a vida, enfrentamos restrições de circulação, isolamento social, cuidados redobrados de higiene e enfrentamos problemas econômicos e sociais.

Porém, para muitas mulheres, a pandemia trouxe consequências ainda piores.

Ela agravou uma triste realidade: a violência doméstica. Com a quarentena, vítimas e agressores passaram a conviver o tempo todo juntos dentro de casa. Além do convívio mais longo com o agressor, muitas lidaram ainda com a perda ou a diminuição da renda familiar. Junto com o isolamento social, esses fatores dificultaram o acesso das mulheres às redes de proteção.

No Brasil, apenas em abril do ano passado, no primeiro mês de isolamento, as denúncias de violência contra a mulher recebidas por meio do canal 180 do governo federal cresceram – e muito! Foram 40% a mais de denúncias com relação ao mesmo período de 2019. Os dados são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Ao longo de 2020, foram recebidas 105.821 denúncias de violência contra a mulher feitas por meio do Ligue 180 e do Disque 100 do governo. Por esses canais são informados também casos de violência contra outros grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, idosos, pessoas LGBT e pessoas em situação de rua.

 

Mãos de uma mulher bordando nas oficinas da utopiar
Uma das nossas beneficiárias na oficina de bordado

 

Na utopiar, nós temos contato com histórias de violência doméstica contra a mulher todos os dias. E esta é uma realidade que queremos transformar.

Sabemos que essas mulheres não são apenas números. São mães, filhas, amigas. Mulheres que têm sonhos, desejos, esperança e vontade de sair da situação de violência. Mulheres que querem ressignificar suas histórias.

Em 2020, uma em cada quatro mulheres com mais de 16 anos afirmou ter sofrido algum tipo de violência ou agressão – que pode ser física, psicológica ou sexual. Isso corresponde a cerca de 17 milhões em nosso país.

A violência doméstica não escolhe idade, cor ou classe social. Pode acontecer com qualquer uma, em qualquer lugar. Porém, segundo dados da terceira edição da pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ela atinge ainda mais mulheres negras, separadas e jovens.

Uma em cada três mulheres entre 16 e 24 anos relataram ter vivido algum tipo de violência. Entre as mulheres negras, 28% afirmam ter sofrido agressões.

O lugar que deveria ser o refúgio de todas elas continua a ser o mais perigoso quando se fala em violência doméstica. O número de agressões ocorridas dentro de casa aumentou de 42% na pesquisa anterior para atuais 48,8%. Ou seja, quase metade das agressões! Os casos de violência na rua diminuíram: de 29% para 19%.

Em 73% dos casos os agressores eram íntimos das vítimas. São pessoas próximas, da família, que atuam como agentes da violência. Como agressores, em primeiro lugar ficaram maridos ou namorados, seguidos de pais ou mães, padrastos ou madrastas e até filhos e filhas. Para mulheres com mais de 50 anos, inclusive, cresceu a participação de filhos e enteados nas agressões.

A violência sofrida pelas mulheres se manifesta de diferentes formas. 18,6% delas afirmaram que sofreram ofensas verbais; 6,3% sofreram tapas, chutes ou empurrões; 5,4% afirmaram terem passado por algum tipo de ofensa sexual ou tentativa forçada de relação; 3,1% foram ameaçadas com faca ou com arma de fogo; e 2,4% delas foram espancadas.

A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi feita com 2.079 mulheres com mais de 16 anos em 130 municípios brasileiros.

 

Quatro mulheres ao redor de uma mesa aprendendo a bordar
Mulheres aprendendo a bordar na oficina da utopiar. 

Mulheres: vocês não estão sozinhas

As mulheres vítimas de violência doméstica estão entre as que mais perderam emprego e renda durante a pandemia de Covid-19. Por mais difícil que possa parecer, é possível sair de uma situação de violência. Na utopiar nós atuamos para transformar essa realidade. Nascemos com o objetivo de apoiar mulheres que estão superando a situação de violência doméstica.

Nós trabalhamos em parceria com a Associação Fala Mulher, capacitando mulheres em casas abrigo e centros de defesa. Desde 2004, quando foi fundada, a Associação já atendeu mais de 25 mil mulheres vítimas; acompanhou cerca de 32.000 famílias e acolheu mais de 800 pessoas, entre mulheres e filhos, em abrigos sigilosos.

Com nossas atividades, elas resgatam a sua autoestima e geram renda, para que possam retomar as rédeas de sua vida, seguir em frente e deixar a história de violência para trás.

 

Kimono Laranja com bordado em azul escrito "Meter a Colher é Acoloher"
Kimono Bordado "Meter a Colher é Acolher"

 

Em briga de marido e mulher, se mete a colher

Ao contrário do que que diz o ditado, em briga de marido e mulher se mete, sim, a colher. Interferir em situações de violência salva vidas. Os dados da pesquisa mostraram que os casos de feminicídio aumentaram durante a pandemia.

No mesmo período, houve uma redução do número de registros de lesão corporal dolosa ocorridos em função da violência doméstica.

Mulheres que sofrem violência muitas vezes não denunciam seus agressores, e isso acontece por diversos motivos: medo, intimidação e dependência financeira são alguns deles. Na pandemia, em especial, podem ter encontrado maior dificuldade em fazer o registro dessas agressões, já que passaram a ficar mais tempo em casa com seus agressores.

Hoje existem vários canais de denúncia para as próprias vítimas e para quem mais quiser denunciar uma situação de violência contra a mulher. O governo federal disponibiliza canais como o Disque 100 ou o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funcionam gratuitamente e 24 horas por dia.

As campanhas silenciosas também cresceram. É o caso da campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, lançada no ano passado pelo Conselho Nacional de

Justiça e Associação dos Magistrados Brasileiros. Por meio dela, mulheres podem pedir ajuda em farmácias, órgãos públicos e agências bancárias com um sinal vermelho desenhado na palma da mão. Cerca de 15 mil estabelecimentos em todo o país já participam. Os atendentes, ao verem o sinal, imediatamente acionam as autoridades policiais.

Mas não são as penas as vítimas que podem dar fim a esta situação. Todos nós podemos ser agentes transformadores e interromper esse ciclo de violência.

Vamos, juntos, transformar a história dessas mulheres?

Obrigada! Aqui está o seu cupom: PRIMEIRACOMPRA. Não perca a oportunidade e venha utopiar com a gente :)