Mulheres que contam suas histórias - Hortênsia – utopiar

Mulheres que contam suas histórias - Hortênsia

Deborah: O que que você faz de diferente no seu dia a dia? Alguma coisa que te deixa animada, que você gosta de fazer?

Hortênsia: O que eu gosto muito de fazer é caminhada. Amo caminhada. Começo o meu dia numa ótima caminhada de uma hora, uma hora e meia.

Deborah: O que que te inspira? O que que faz você ficar inspirada?

Hortênsia: Ah, hoje em dia é meu neto. Meu neto é uma graça.

Deborah: Eu queria te perguntar também um pouco de como que você chegou até a utopiar? Foi através da ONG Mariás né?

Hortênsia: Isso.

Deborah: E como que aconteceu? Elas te falaram do nosso projeto?

Hortênsia: Então, a gente agora está com aula online só, e tem o grupo né. Então a nossa professora colocou no grupo que teria essa oportunidade de aperfeiçoar o bordado, porque eu mesma… na aula presencial, a professora olhava para mim e ria, porque eu conseguia me embaraçar toda com a linha.

Deborah: Você já fazia um pouco de bordado lá né?

Hortênsia: Muito pouco. Muito pouco mesmo, porque eu sempre estava no Mariás para ajudar. Porque quando eu cheguei lá eu precisava sair da minha casa né, porque estava um clima meio ruim. Não era nada, nada físico, mas era psicológico. O médico falou “procura uma coisa diferente, que você tenha mais dificuldade para fazer, para focar nisso.” Aí eu fui para lá.

Deborah: Para outras mulheres que estão passando por situações parecidas, ou alguma dificuldade, o que você gostaria de falar para elas, depois desse processo todo?

Hortênsia: Olha, eu gostaria muito que todas conseguissem um caminho assim, porque fortalece, você descobre que você pode muita coisa, que você é capaz de fazer. No meu caso, eu precisava de um suporte para ajudar o meu marido que estava doente com depressão, a gente discutia porque eu queria que ele voltasse a fazer tratamento e ele não queria mais. Então aí chegou uma hora que eu perdi a paciência e comecei a gritar, coisa que também não resolve né. Aí lá eu voltei, centrei a cabeça de novo. Foi muito bom.

E eu vejo, lá no Mariás mesmo, eu vi muita coisa, muita mulher chegar lá machucada fisicamente mesmo, e desistir do que tinha feito. A advogada arrumar casa para ela sair de casa e ela não, “Eu não vou conseguir me sustentar sozinha” e voltar para trás. E da próxima vez ela voltou muito mais quebrada. Aí foi muito triste. Então eu falo: “A gente não tem que aguentar tudo.” Vai ser difícil vai né, porque as vezes você depende economicamente da pessoa, mas não dá para levar a vida assim. E é muito bom, você tem que procurar ser feliz.

Deborah: O que você gostaria de falar para você quando você era mais nova? Se você pudesse dar um conselho para você mais nova? Qual conselho seria?

Hortênsia: Acredite mais em você. Porque eu sempre colocava o meu pé um pouco atrás, meu pai era tipo assim “não, filha minha não trabalha enquanto não se formar”, passamos muito perrengue por isso porque ele ficou doente e aí eu não tinha profissão. Ele ficou doente muito novo, ele era alcoólatra, aí ele ficou com problema no estômago, no intestino. Então eu falo, acredite, faça, faça cedo, faça por você enquanto você é nova. Porque a idade chega, tudo complica.

Deborah: E o que que você está mais gostando da utopiar? Do trabalho que você está fazendo aqui?

Hortênsia: Das pessoas. Achei vocês incríveis. Muito legal. E eu estou tão contente de resgatar isso de bordar porque era uma coisa que a minha vó queria muito que eu aprendesse. Dia de chuva que a gente não podia brincar, porque São Paulo antigamente chovia muito né. A gente não podia brincar, e minha avó sempre levava a gente para dentro da casa dela para bordar eu e minhas amigas. Minhas amigas todas bordavam, eu não.

Obrigada! :)